segunda-feira, 15 de outubro de 2012

à dois:

eles precisam se encontrar.
no meio do caminho. se escutar.
vida de contemporâneo tá difícil que só
uma correria ali. uma chuvinha aqui.
esqueci meu guarda-chuva na bolsa da amiga.
nem pegando o metro é só cinco minutos
nesses dias a gente nem tem licença poética
é feiura mesmo
incompreensão
como digerir tudo que a gente engole mais o que nos dão na boca mais o que nos enfiam goela a baixo e ainda continuar com sede?
tem uma sede eterna de cerveja nas madrugadas
amores nas tardes
saudades de feriado
tem essa sede de terra vermelha de cheirinho bom de sujar a mão
nunca passa
nunca passa
melhor ir logo
do que nunca.

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Começar é sempre difícil. O tempo não ta nem aí pra gente
Acaba virando tudo muito cuntipuranio.
A gente escreve e sai assim, corrido.
A gente tenta se encontrar mas é a chuva, é o compromisso... Acho que as vezes dou tanto de comer que não deixo engolir nem digerir. Esqueço que os outros tem algo além do meu alimento pra ruminar. Como eu, que ultimamente me tenho visto entalado pelo que me empurram goela abaixo.
Se ao menos fosse a cerveja querida madrugada
Esses tempos não me deixam mais nem a cerveja.
Cheguei moído e comprei um vinho. A rolha vai me servir para o ensaio da amanhã.
Vocalize.
Vontade mesmo é daquele bar
Viver de celular não faz bem a ninguém
Saudades da estória contata que não vivi, mas que de tanto ouvir já faz parte de mim:

a sobrinha, no banco de trás, quieta, havia comido demais. Os tios, preocupados, se viram.
ela, esperta que é, não se deixa levar pelo auxilio deles.

_Preocupa não tia, se eu vomitar eu engôlo. 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

à dois: Jambon et Fromage

Um dia liguei pra ele e falei: vamo criar um blog. 
- Ótima idéia. 
Dias depois: já tenho um nome. Jambon et Fromage. 
- Não, tem que ser mais brasileiro. 
Mas o motivo era bonitinho. Era eu e ele. 
Atribuições diferentes, mas que juntos são um delícia. 
Uma semana se passou e viemos pensar. Muitos nomes, segredos e brainstorms. Nada. Dá um tempo, bebe uma cerveja.
Voadois! já tem. blog tosco de fotos estranhas. 
Lê um pouco de bukowski. 
E lá vem ela. 

"(...) escrevo sobre isso agora
sob efeito de uma das minhas
piores ressacas
enquanto lá em baixo 
me esperam várias e diversas 
garrafas de
bebida 


tudo tem sido tão bestial 
e adorável, 
esse rio insano, 
essa loucura
roubada
à mão armada
que não desejo a
ninguém 
a não ser a mim mesmo,
amém"

(hangovers, bukowski) 

Cá estamos. Nasceu! 

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Ela me ligou com uma ideia embrionária que eu já alimentava havia algum tempo não sei por que motivo.
O nome em outro língua. Muito bom, por sinal. Talvez um pseudo-patriotismo me tenha feito negar.

Dias abarrotados, informações em excesso, tempo escasso. 

Abdiquei de um estudo ou de uma leitura necessária e fui até lá. 
Documentário interessante no bolso, apesar de saber, antes, que o destino dele naquela noite era o interior metálico do pen-drive, dormindo na maciez do cobertor de gatinhas cor-de-rosa. 

_Cerveja?
_Dieta.
_Ok.

Só seis latinhas no chinês da esquina que é mais barato.

_Clédito?
_Débito.

Ela soube que eu chegaria sem tocar o interfone, mas as bebidas causaram reação.

_Só seis...

Eu sabia que teria companhia.

Após a ingestão, após papo pro ar, após rir do boneco surfista, após incapacidade de criação de título, a primeira hipófise inibida. Banheiro.

Silêncio.

_Vou ler.
_Aquele carinha do bar de botafogo?

Nenhuma risada.

Ressaca sei lá das quantas, ressaca sei lá do que...

_Ressaca é bom.
_É.
_É.

Descartamos as outras possibilidades e eu fui dormir tranquilo puxando o cobertor e as gatinhas para perto dos ombros, deixando cair o pen-drive com o filme do Joaquim Phoenix no chão. Fique aí. Amanhã assisto em casa.