sexta-feira, 11 de outubro de 2013

23:72

Close na cama improvisada
não é de causar descompostura
costura desconjuntada dos dias que passam
e repousam em seus respectivos leitos
da memória futura, do futuro desejo
Tiro giro de isqueiro aceso
e não estava nem escuro, muito menos fumo
Juro.
Com todo respeito,
se me cancelo é porque me concedo
ou
ao menos espero.

domingo, 8 de setembro de 2013

Estava frio e contente, o final estav reinventado,
e passando na tv, o passado rememorado.
No chão quase macio - o simulacro do conforto.
e atrás do outro lado do parque do lugar mais incrível da janela
  as sombras, todas, reconhecíveis.
Todos num mesmo recipiente faziam eco no porão da noite.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

título

Literal palavra objeto
de cisto
desisto

Risco natural porém lívido. apavorado. hilariante. comovido. desastrado. exaurido. pavoneante. chocado. Ver nascer chocado. Ver nascer, chocada, a palavra. Desde a primeira rachadura, palavra. Desde o silêncio do interior desse cisto, desisto.

Palavra objeto literal: concreto vazio autônomo de poder.

domingo, 18 de agosto de 2013

rascunho espontâneo .dois

Sofá amarelo de plástico, faz a gente suar.
de ficar na janela, naquela janela, só pra esperar ventar; tinha a porta que dava pro mar, mas era de vento que se passava os dias.

E esperava sentado olhazul

Sagrado só era mesmo o momento da casa, sozinha, bronzear na rede.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

rascunho espontâneo

1.

Estrada nua
Final do beco pintado, neblina constante de poeira e pegada.
Fadiga e o fígado cansado.
Rua.


2.

  Passo
Blues, peso, compasso
     Blues, beco, espaço

Ao passo dali da cortininha
dá pra se ver
a Avenida Acyr Procópio esmagada
linha pontilhada.

domingo, 14 de julho de 2013

hiato

O que que tem depois do corpo?
 O que existe além do silêncio?
   o barulho
        o ruído
              o imenso

domingo, 7 de julho de 2013

mesmi

É preciso fuga do tempo, do eu, do nós, de lugar
A cultura não sai, imantada, e a vida dá errado

Outro lugar, tão fora daqui que não se pode chamar lugar
Para lá é a utopia feliz da fuga
Porque os mesmos protestos cansam,
Os mesmos problemas ferem,
As mesmas desculpas fazem adoecer.
Os repetidos eus, nóses, planetas, sistemas, governos,
revoluções
O mesmo medo
Os sentimentos iguais são chatos
Até o desconhecido é igual ao de sempre

É que se existe um lado de lá onde o mundo é bom,
em que buraco negro, ponto vácuo no espaço,
ponte mística secreta mediadora das dimensões, encontramos o
caminho?

Sermos outros aqui nessa mesmice, dá?
É preciso mudar o mesmo para o inverso dele [e além] também.
Que acredito sim, o inimaginável pode vir a ser. E estar.
E aí é que está. Aí é que seremos novamente.

E seremos novamente. Só que não de novo.