É preciso fuga do tempo, do eu, do nós, de lugar
A cultura não sai, imantada, e a vida dá errado
Outro lugar, tão fora daqui que não se pode chamar lugar
Para lá é a utopia feliz da fuga
Porque os mesmos protestos cansam,
Os mesmos problemas ferem,
As mesmas desculpas fazem adoecer.
Os repetidos eus, nóses, planetas, sistemas, governos,
revoluções
O mesmo medo
Os sentimentos iguais são chatos
Até o desconhecido é igual ao de sempre
É que se existe um lado de lá onde o mundo é bom,
em que buraco negro, ponto vácuo no espaço,
ponte mística secreta mediadora das dimensões, encontramos o
caminho?
Sermos outros aqui nessa mesmice, dá?
É preciso mudar o mesmo para o inverso dele [e além] também.
Que acredito sim, o inimaginável pode vir a ser. E estar.
E aí é que está. Aí é que seremos novamente.
E seremos novamente. Só que não de novo.
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