Close na cama improvisada
não é de causar descompostura
costura desconjuntada dos dias que passam
e repousam em seus respectivos leitos
da memória futura, do futuro desejo
Tiro giro de isqueiro aceso
e não estava nem escuro, muito menos fumo
Juro.
Com todo respeito,
se me cancelo é porque me concedo
ou
ao menos espero.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
domingo, 8 de setembro de 2013
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
título
Literal palavra objeto
de cisto
desisto
Risco natural porém lívido. apavorado. hilariante. comovido. desastrado. exaurido. pavoneante. chocado. Ver nascer chocado. Ver nascer, chocada, a palavra. Desde a primeira rachadura, palavra. Desde o silêncio do interior desse cisto, desisto.
Palavra objeto literal: concreto vazio autônomo de poder.
de cisto
desisto
Risco natural porém lívido. apavorado. hilariante. comovido. desastrado. exaurido. pavoneante. chocado. Ver nascer chocado. Ver nascer, chocada, a palavra. Desde a primeira rachadura, palavra. Desde o silêncio do interior desse cisto, desisto.
Palavra objeto literal: concreto vazio autônomo de poder.
domingo, 18 de agosto de 2013
rascunho espontâneo .dois
Sofá amarelo de plástico, faz a gente suar.
de ficar na janela, naquela janela, só pra esperar ventar; tinha a porta que dava pro mar, mas era de vento que se passava os dias.
E esperava sentado olhazul
Sagrado só era mesmo o momento da casa, sozinha, bronzear na rede.
de ficar na janela, naquela janela, só pra esperar ventar; tinha a porta que dava pro mar, mas era de vento que se passava os dias.
E esperava sentado olhazul
Sagrado só era mesmo o momento da casa, sozinha, bronzear na rede.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
rascunho espontâneo
1.
Estrada nua
Final do beco pintado, neblina constante de poeira e pegada.
Fadiga e o fígado cansado.
Rua.
2.
Passo
Blues, peso, compasso
Blues, beco, espaço
Ao passo dali da cortininha
dá pra se ver
a Avenida Acyr Procópio esmagada
linha pontilhada.
Estrada nua
Final do beco pintado, neblina constante de poeira e pegada.
Fadiga e o fígado cansado.
Rua.
2.
Passo
Blues, peso, compasso
Blues, beco, espaço
Ao passo dali da cortininha
dá pra se ver
a Avenida Acyr Procópio esmagada
linha pontilhada.
domingo, 14 de julho de 2013
domingo, 7 de julho de 2013
mesmi
É preciso fuga do tempo, do eu, do nós, de lugar
A cultura não sai, imantada, e a vida dá errado
Outro lugar, tão fora daqui que não se pode chamar lugar
Para lá é a utopia feliz da fuga
Porque os mesmos protestos cansam,
Os mesmos problemas ferem,
As mesmas desculpas fazem adoecer.
Os repetidos eus, nóses, planetas, sistemas, governos,
revoluções
O mesmo medo
Os sentimentos iguais são chatos
Até o desconhecido é igual ao de sempre
É que se existe um lado de lá onde o mundo é bom,
em que buraco negro, ponto vácuo no espaço,
ponte mística secreta mediadora das dimensões, encontramos o
caminho?
Sermos outros aqui nessa mesmice, dá?
É preciso mudar o mesmo para o inverso dele [e além] também.
Que acredito sim, o inimaginável pode vir a ser. E estar.
E aí é que está. Aí é que seremos novamente.
E seremos novamente. Só que não de novo.
A cultura não sai, imantada, e a vida dá errado
Outro lugar, tão fora daqui que não se pode chamar lugar
Para lá é a utopia feliz da fuga
Porque os mesmos protestos cansam,
Os mesmos problemas ferem,
As mesmas desculpas fazem adoecer.
Os repetidos eus, nóses, planetas, sistemas, governos,
revoluções
O mesmo medo
Os sentimentos iguais são chatos
Até o desconhecido é igual ao de sempre
É que se existe um lado de lá onde o mundo é bom,
em que buraco negro, ponto vácuo no espaço,
ponte mística secreta mediadora das dimensões, encontramos o
caminho?
Sermos outros aqui nessa mesmice, dá?
É preciso mudar o mesmo para o inverso dele [e além] também.
Que acredito sim, o inimaginável pode vir a ser. E estar.
E aí é que está. Aí é que seremos novamente.
E seremos novamente. Só que não de novo.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Ali na janela
A flor murcha, da janela, pode ver o cristo.
Faltou água e sol.
Se não fosse murcha não existiria. Precisou perder cor para ganhar vida.
Ganhou então a imortalidade numa pasta dentro duma pasta.
É na noite fresca que começa o fim da história.
E nos sons em atrito do asfalto.
No silêncio lá em cima soa a melodia das pétalas por entre os vidros surdos das paredes cinza.
Única e só e triste e arte.
Morreu planta, nasceu linda para o mundo apreciar.
E o cristo, rijo, da montanha, pode ver a flor.
Faltou água e sol.
Se não fosse murcha não existiria. Precisou perder cor para ganhar vida.
Ganhou então a imortalidade numa pasta dentro duma pasta.
É na noite fresca que começa o fim da história.
E nos sons em atrito do asfalto.
No silêncio lá em cima soa a melodia das pétalas por entre os vidros surdos das paredes cinza.
Única e só e triste e arte.
Morreu planta, nasceu linda para o mundo apreciar.
E o cristo, rijo, da montanha, pode ver a flor.
queria entender como a gente coloca tanto amor nas coisas
um pedaço de jornal
aquela cena daquele filme
foto com aquelas pessoas
o chapéu que eu comprei na montanha
a xícara de louça inglesa
a odisséia em quadrinhos
a pasta com a pintura do van gogh
um pinguim da travessa
aquele tênis nike vintage
uma blusa tie die
o livro do teatro pós-dramático
o bonequinho do bloco do eu sozinho
garrafas de vidro
flores que apodrecem
o ingresso do filme da marina abramovic
gato de botas em pelúcia da infância
mochila de couro
botons: pokemon e super mario.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
pálpebra e estômago
essa vida toda toda de odisséias
fico me perguntando até onde foi o destino de tudo que já passou
um homem morreu com uma taça no bolso
outro foi castrado e enlouqueceu.
onde tudo vai parar?
o tempo urge no ritmo do telejornal
o tempo o tempo o tempo
quem tem sorte é estátua que é pra sempre
quem tem sorte é a ribalta que é efêmera
ser perene as vezes incomoda
continuar,
cansa.
fico me perguntando até onde foi o destino de tudo que já passou
um homem morreu com uma taça no bolso
outro foi castrado e enlouqueceu.
onde tudo vai parar?
o tempo urge no ritmo do telejornal
o tempo o tempo o tempo
quem tem sorte é estátua que é pra sempre
quem tem sorte é a ribalta que é efêmera
ser perene as vezes incomoda
continuar,
cansa.
domingo, 11 de novembro de 2012
Joelho
Era um menininho. Bracinhos, mãozinhas e bochechinhas. Andava pelo mundo sem alcançar o joelho dos outros, que eram pessoas enormes. Só enxergava por debaixo das pernas. Correu para crescer e cresceu, mas as canelas nunca lhe pareceram tão familiares. Juntamente, os outros se agigantavam ao seu redor. Em dado momento, se desesperou na tentativa de escalar grandes amigos. Caiu mais de uma vez, fraturou o dedo anular, mas recuperou bem, como de costume. Não mais tentou crescer, acreditando na possibilidade do processo inverso. Queria poder olhar as pessoas nos olhos cara a cara. Mas nada aconteceu, tudo ficou como estava. Se ele aumentava um pouco, o mundo o acompanhava. Ele aprendeu a viver assim. Única depressão geográfica na multidão. Menino fora de casa. De outro mundo de baixo para cima. Olhando tudo do seu ponto de menino.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
à dois:
eles precisam se encontrar.
no meio do caminho. se escutar.
vida de contemporâneo tá difícil que só
uma correria ali. uma chuvinha aqui.
esqueci meu guarda-chuva na bolsa da amiga.
nem pegando o metro é só cinco minutos
nesses dias a gente nem tem licença poética
é feiura mesmo
incompreensão
como digerir tudo que a gente engole mais o que nos dão na boca mais o que nos enfiam goela a baixo e ainda continuar com sede?
tem uma sede eterna de cerveja nas madrugadas
amores nas tardes
saudades de feriado
tem essa sede de terra vermelha de cheirinho bom de sujar a mão
nunca passa
nunca passa
melhor ir logo
do que nunca.
_________________________________________________________________
Começar é sempre difícil. O tempo não ta nem aí pra gente
Acaba virando tudo muito cuntipuranio.
A gente escreve e sai assim, corrido.
A gente tenta se encontrar mas é a chuva, é o compromisso... Acho que as vezes dou tanto de comer que não deixo engolir nem digerir. Esqueço que os outros tem algo além do meu alimento pra ruminar. Como eu, que ultimamente me tenho visto entalado pelo que me empurram goela abaixo.
Se ao menos fosse a cerveja querida madrugada
Esses tempos não me deixam mais nem a cerveja.
Cheguei moído e comprei um vinho. A rolha vai me servir para o ensaio da amanhã.
Vocalize.
Vontade mesmo é daquele bar
Viver de celular não faz bem a ninguém
Saudades da estória contata que não vivi, mas que de tanto ouvir já faz parte de mim:
a sobrinha, no banco de trás, quieta, havia comido demais. Os tios, preocupados, se viram.
ela, esperta que é, não se deixa levar pelo auxilio deles.
_Preocupa não tia, se eu vomitar eu engôlo.
no meio do caminho. se escutar.
vida de contemporâneo tá difícil que só
uma correria ali. uma chuvinha aqui.
esqueci meu guarda-chuva na bolsa da amiga.
nem pegando o metro é só cinco minutos
nesses dias a gente nem tem licença poética
é feiura mesmo
incompreensão
como digerir tudo que a gente engole mais o que nos dão na boca mais o que nos enfiam goela a baixo e ainda continuar com sede?
tem uma sede eterna de cerveja nas madrugadas
amores nas tardes
saudades de feriado
tem essa sede de terra vermelha de cheirinho bom de sujar a mão
nunca passa
nunca passa
melhor ir logo
do que nunca.
_________________________________________________________________
Começar é sempre difícil. O tempo não ta nem aí pra gente
Acaba virando tudo muito cuntipuranio.
A gente escreve e sai assim, corrido.
A gente tenta se encontrar mas é a chuva, é o compromisso... Acho que as vezes dou tanto de comer que não deixo engolir nem digerir. Esqueço que os outros tem algo além do meu alimento pra ruminar. Como eu, que ultimamente me tenho visto entalado pelo que me empurram goela abaixo.
Se ao menos fosse a cerveja querida madrugada
Esses tempos não me deixam mais nem a cerveja.
Cheguei moído e comprei um vinho. A rolha vai me servir para o ensaio da amanhã.
Vocalize.
Vontade mesmo é daquele bar
Viver de celular não faz bem a ninguém
Saudades da estória contata que não vivi, mas que de tanto ouvir já faz parte de mim:
a sobrinha, no banco de trás, quieta, havia comido demais. Os tios, preocupados, se viram.
ela, esperta que é, não se deixa levar pelo auxilio deles.
_Preocupa não tia, se eu vomitar eu engôlo.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
à dois: Jambon et Fromage
Um dia liguei pra ele e falei: vamo criar um blog.
- Ótima idéia.
Dias depois: já tenho um nome. Jambon et Fromage.
- Não, tem que ser mais brasileiro.
Mas o motivo era bonitinho. Era eu e ele.
Atribuições diferentes, mas que juntos são um delícia.
Uma semana se passou e viemos pensar. Muitos nomes, segredos e brainstorms. Nada. Dá um tempo, bebe uma cerveja.
Voadois! já tem. blog tosco de fotos estranhas.
Lê um pouco de bukowski.
E lá vem ela.
"(...) escrevo sobre isso agora
sob efeito de uma das minhas
piores ressacas
enquanto lá em baixo
me esperam várias e diversas
garrafas de
bebida
tudo tem sido tão bestial
e adorável,
esse rio insano,
essa loucura
roubada
à mão armada
que não desejo a
ninguém
a não ser a mim mesmo,
amém"
(hangovers, bukowski)
Cá estamos. Nasceu!
______________________________________________
Ela me ligou com uma ideia embrionária que eu já alimentava havia algum tempo não sei por que motivo.
O nome em outro língua. Muito bom, por sinal. Talvez um pseudo-patriotismo me tenha feito negar.
Dias abarrotados, informações em excesso, tempo escasso.
Abdiquei de um estudo ou de uma leitura necessária e fui até lá.
Documentário interessante no bolso, apesar de saber, antes, que o destino dele naquela noite era o interior metálico do pen-drive, dormindo na maciez do cobertor de gatinhas cor-de-rosa.
_Cerveja?
_Dieta.
_Ok.
Só seis latinhas no chinês da esquina que é mais barato.
_Clédito?
_Débito.
Ela soube que eu chegaria sem tocar o interfone, mas as bebidas causaram reação.
_Só seis...
Eu sabia que teria companhia.
Após a ingestão, após papo pro ar, após rir do boneco surfista, após incapacidade de criação de título, a primeira hipófise inibida. Banheiro.
Silêncio.
_Vou ler.
_Aquele carinha do bar de botafogo?
Nenhuma risada.
Ressaca sei lá das quantas, ressaca sei lá do que...
_Ressaca é bom.
_É.
_É.
Descartamos as outras possibilidades e eu fui dormir tranquilo puxando o cobertor e as gatinhas para perto dos ombros, deixando cair o pen-drive com o filme do Joaquim Phoenix no chão. Fique aí. Amanhã assisto em casa.
- Ótima idéia.
Dias depois: já tenho um nome. Jambon et Fromage.
- Não, tem que ser mais brasileiro.
Mas o motivo era bonitinho. Era eu e ele.
Atribuições diferentes, mas que juntos são um delícia.
Uma semana se passou e viemos pensar. Muitos nomes, segredos e brainstorms. Nada. Dá um tempo, bebe uma cerveja.
Voadois! já tem. blog tosco de fotos estranhas.
Lê um pouco de bukowski.
E lá vem ela.
"(...) escrevo sobre isso agora
sob efeito de uma das minhas
piores ressacas
enquanto lá em baixo
me esperam várias e diversas
garrafas de
bebida
tudo tem sido tão bestial
e adorável,
esse rio insano,
essa loucura
roubada
à mão armada
que não desejo a
ninguém
a não ser a mim mesmo,
amém"
(hangovers, bukowski)
Cá estamos. Nasceu!
______________________________________________
Ela me ligou com uma ideia embrionária que eu já alimentava havia algum tempo não sei por que motivo.
O nome em outro língua. Muito bom, por sinal. Talvez um pseudo-patriotismo me tenha feito negar.
Dias abarrotados, informações em excesso, tempo escasso.
Abdiquei de um estudo ou de uma leitura necessária e fui até lá.
Documentário interessante no bolso, apesar de saber, antes, que o destino dele naquela noite era o interior metálico do pen-drive, dormindo na maciez do cobertor de gatinhas cor-de-rosa.
_Cerveja?
_Dieta.
_Ok.
Só seis latinhas no chinês da esquina que é mais barato.
_Clédito?
_Débito.
Ela soube que eu chegaria sem tocar o interfone, mas as bebidas causaram reação.
_Só seis...
Eu sabia que teria companhia.
Após a ingestão, após papo pro ar, após rir do boneco surfista, após incapacidade de criação de título, a primeira hipófise inibida. Banheiro.
Silêncio.
_Vou ler.
_Aquele carinha do bar de botafogo?
Nenhuma risada.
Ressaca sei lá das quantas, ressaca sei lá do que...
_Ressaca é bom.
_É.
_É.
Descartamos as outras possibilidades e eu fui dormir tranquilo puxando o cobertor e as gatinhas para perto dos ombros, deixando cair o pen-drive com o filme do Joaquim Phoenix no chão. Fique aí. Amanhã assisto em casa.
Assinar:
Postagens (Atom)